Catarata e glaucoma: uma combinação muito comum
Catarata e glaucoma estão entre as doenças oculares mais prevalentes em pessoas acima dos 60 anos. Não é coincidência que muitas vezes apareçam juntas no mesmo paciente. E quando aparecem, surge uma pergunta natural: posso operar as duas ao mesmo tempo?
A resposta moderna é: sim, na grande maioria dos casos. E há benefícios reais em fazer isso.
Por que catarata e glaucoma aparecem juntos
Existem três motivos principais:
- Envelhecimento. Ambas as doenças têm forte associação com idade avançada.
- Uso prolongado de colírios. Alguns colírios para glaucoma podem acelerar a formação de catarata.
- Catarata avançada pode causar glaucoma. Cristalinos muito espessos podem bloquear a drenagem do humor aquoso (glaucoma facomórfico).
A cirurgia combinada — como funciona
A cirurgia combinada une, em um único procedimento:
- Facoemulsificação — remoção do cristalino opaco (catarata) e implante da lente intraocular
- MIGS (Cirurgia Minimamente Invasiva para Glaucoma) — geralmente iStent Inject, Kahook Dual Blade ou GATT
Tudo é feito na mesma sessão cirúrgica, pela mesma incisão. O tempo total aumenta pouco em relação à cirurgia de catarata isolada — geralmente apenas alguns minutos.
Vantagens da cirurgia combinada
1. Apenas uma cirurgia, uma recuperação
O paciente não precisa passar por dois procedimentos cirúrgicos separados. Uma anestesia, uma recuperação, um único pós-operatório.
2. Efeito sinérgico na pressão ocular
A própria cirurgia de catarata, mesmo sem MIGS associada, costuma reduzir a pressão ocular em 2 a 4 mmHg. Quando combinada com MIGS, essa redução pode ser ainda maior — em alguns pacientes, suficiente para reduzir ou eliminar os colírios.
3. Melhor planejamento da lente intraocular
Em pacientes com glaucoma já avançado, certas lentes premium têm contraindicações relativas. Fazer a cirurgia combinada permite que o cirurgião escolha a melhor lente considerando os dois quadros — em vez de operar a catarata sem pensar no glaucoma.
4. Cobertura pelos planos de saúde
Vários dispositivos MIGS (notadamente o iStent) têm cobertura obrigatória pelos planos de saúde quando indicados em cirurgia combinada com catarata. Veja o artigo específico sobre o iStent.
Quando NÃO indicar a combinação
Apesar dos benefícios, a cirurgia combinada não é para todos os casos:
- Glaucoma muito avançado que precisa de redução pressórica grande — pode exigir trabeculectomia ou tubo de drenagem em vez de MIGS
- Glaucoma de ângulo fechado agudo — exige tratamento prévio antes da cirurgia eletiva
- Catarata incipiente que não justifica cirurgia pela própria catarata — primeiro tratamos o glaucoma isoladamente
- Anatomia ocular específica que contraindica MIGS
Em alguns desses casos, o melhor caminho é operar catarata isoladamente e tratar o glaucoma à parte com colírios, laser SLT ou outra modalidade.
O que esperar do resultado
Pacientes operados em cirurgia combinada geralmente apresentam:
- Melhora significativa da visão (resolvida a catarata)
- Redução da pressão ocular em 20-40% nos primeiros meses
- Redução do uso de colírios hipotensores (em alguns casos, suspensão temporária)
- Recuperação semelhante à da catarata isolada — alguns dias de cuidados específicos
Importante: a cirurgia não cura o glaucoma. Continua sendo necessário acompanhamento ao longo da vida, com exames periódicos de campo visual e OCT.
Como decidir
A decisão sobre cirurgia combinada é técnica e individualizada. Depende de:
- Estágio do glaucoma (leve, moderado, avançado)
- Pressão ocular atual e a pressão-alvo
- Resposta a tratamentos prévios
- Maturidade da catarata
- Anatomia ocular específica
- Outras condições oculares (retinopatia, miopia alta)
Na consulta de planejamento, avaliamos todos esses fatores e definimos o melhor caminho — combinação ou cirurgia em etapas separadas.
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Cada paciente é diferente. Em uma consulta, posso avaliar exatamente o que se aplica ao seu olho e indicar o melhor caminho.
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