Tratamento de glaucoma em Natal/RN

O glaucoma rouba a visão sem avisar. O que se perde, não volta.

Por isso o tratamento não pode esperar. Aqui você tem o protocolo das principais sociedades de glaucoma do mundo — das técnicas tradicionais às MIGS minimamente invasivas.

Resumo rápido

  • O que é: doença que danifica o nervo óptico de forma progressiva e silenciosa
  • Principal causa: pressão intraocular elevada (mas existe glaucoma com pressão normal)
  • Sintomas iniciais: nenhum — por isso é tão perigoso
  • Tem cura? Não. Mas tem controle por toda a vida com tratamento adequado.
  • Tratamentos: colírios, laser SLT, MIGS (iStent, XEN45, Preserflo, GATT) e cirurgias tradicionais (Trabeculectomia, Tubo)
  • Quem deve fazer rastreio: todos acima de 40 anos · acima de 35 com histórico familiar
  • Quero avaliar meu glaucoma
Evolução do campo visual no glaucoma — de visão normal para visão tubular irreversível

Por que glaucoma é a doença mais perigosa da oftalmologia

O glaucoma é uma neuropatia óptica: ele danifica progressivamente o nervo óptico — a estrutura que leva a imagem dos olhos até o cérebro. Quando o nervo é danificado, a perda de visão é permanente.

É perigoso por três motivos:

  1. Não dói. Não causa vermelhidão, coceira ou desconforto. A pessoa não sente nada.
  2. Avança devagar. A perda de visão começa pelas bordas (visão periférica) e leva anos para alcançar o centro.
  3. É irreversível. Diferente da catarata, em que a visão volta após a cirurgia, no glaucoma o que se perde, não volta.

É por isso que a frase mais importante sobre glaucoma é: quanto mais cedo o diagnóstico, melhor o resultado a longo prazo.

Fatores de risco — você está no grupo de risco?

Qualquer pessoa pode ter glaucoma. Mas alguns fatores aumentam significativamente o risco:

  • Idade acima de 40 anos (risco aumenta com a idade)
  • Histórico familiar — pais, irmãos ou avós com glaucoma. Aumenta o risco em até 4 a 9 vezes.
  • Pressão intraocular elevada
  • Miopia alta (acima de 6 graus)
  • Diabetes
  • Hipertensão arterial
  • Uso prolongado de corticoides (colírio, oral ou inalado)
  • Etnia — pessoas negras têm risco maior e tendência a glaucoma mais agressivo
  • Trauma ocular prévio

Se você tem um ou mais destes fatores, a recomendação é fazer exame oftalmológico completo anualmente, mesmo sem sintomas.

Diagnóstico: quais exames são feitos

Diagnosticar glaucoma requer mais do que medir a pressão dos olhos. O Dr. Jaime usa:

  • Tonometria — medida da pressão intraocular
  • Fundoscopia / mapeamento de retina — avaliação direta do nervo óptico
  • Campimetria computadorizada — mede se há perda do campo visual
  • OCT do nervo óptico — mede a espessura das fibras nervosas com precisão
  • Paquimetria — mede a espessura da córnea (interfere na pressão real)
  • Gonioscopia — avalia o ângulo de drenagem do olho

O conjunto desses exames é o que permite diagnóstico preciso e seguimento ao longo dos anos — porque glaucoma é uma doença crônica que precisa ser monitorada por toda a vida.

Tratamento: do colírio à cirurgia

O tratamento do glaucoma é escalonado. Começa com a opção menos invasiva e avança apenas se necessário.

1. Colírios hipotensores

Reduzem a pressão intraocular. São a primeira linha de tratamento na maioria dos casos. Funcionam bem, mas exigem adesão diária por toda a vida — o que nem todo paciente consegue manter.

2. SLT (Trabeculoplastia Seletiva a Laser)

Laser realizado em consultório, em poucos minutos, sem corte. Reduz a pressão intraocular em 20-30% em cerca de 80% dos pacientes. Após o estudo LIGHT Trial, passou a ser considerada uma das principais opções iniciais para glaucoma de ângulo aberto. Veja nosso artigo completo sobre SLT.

Tecnologias MIGS — iStent Inject, XEN45 e GATT — cirurgias minimamente invasivas para glaucoma

3. MIGS (Cirurgias Minimamente Invasivas para Glaucoma)

Família de cirurgias modernas com menor risco e recuperação mais rápida que as técnicas tradicionais. Frequentemente combinadas com cirurgia de catarata.

  • iStent Inject / iStent W — microbypass implantado para melhorar o escoamento do humor aquoso
  • XEN45 (e o novo Xen63) — gel stent que cria uma nova via de drenagem
  • Preserflo Microshunt — dispositivo de drenagem com colocação simplificada
  • Kahook Dual Blade — goniotomia que abre o trabeculado
  • GATT — trabeculotomia transluminal guiada por gonioscopia, excelentes resultados em casos selecionados

Veja a comparação completa no nosso artigo sobre MIGS em 2026.

4. Cirurgias tradicionais

Para casos avançados ou em que outras opções não controlam a pressão:

  • Trabeculectomia (TREC) — cria uma via cirúrgica de drenagem
  • Implante de tubo de drenagem (Ahmed, Baerveldt) — indicado em casos refratários
  • Ciclofotocoagulação "slow burn" — laser sobre o corpo ciliar, reduz a produção do humor aquoso

Como escolhemos o tratamento certo para você

Não existe "receita de bolo" para glaucoma. O Dr. Jaime considera, em cada caso:

  • Tipo de glaucoma (ângulo aberto, fechado, secundário, congênito, normotensivo)
  • Estágio da doença (inicial, moderado, avançado)
  • Pressão ocular atual e a pressão-alvo necessária
  • Quanto o campo visual já foi afetado
  • Idade e expectativa de vida do paciente
  • Tratamentos anteriores e como o olho respondeu
  • Outras condições oculares (catarata, miopia alta, retinopatia)

A meta é sempre a mesma: parar a progressão da doença antes que ela alcance o centro da visão.